Colección: Revista Interamericana de Bibliografía (RIB)
Número: 1-4
Título: 1997
Sección: Reseñas Criticas / Critical Reviews
Warren G. BENNIS and Patricia Ward BIEDERMAN. Organizing Genius: The Secrets
of Creative Collaboration. Reading, MA: Addison-Wesley Publishing Company,
1997. 239 p., source notes, index.
Ao lançar seu novo livro, Organizing Genius: The Secrets of Creative Collaboration
(Gênio Organizacional: Os Segredos da Colaboração Criativa), Warren Bennis
reafirma sua reputação como o mais respeitado pesquisador americano no campo
da liderança. Em parceria com Patricia Ward Biederman, jornalista do Los Angeles
Times, Warren Bennis analisa, em seis interessantes estudos de caso que incluem
o Projeto Manhattan e o desenvolvimento do computador pessoal, o papel central
da criatividade coletiva. Ao anunciar este livro, Samuel Culbert, Professor
de Gerência da Univerdade da Califórnia, declarou que a teoria do grande
homem exalou seu último suspiro, pois nenhum grande líder, por maiores
que sejam seus talentos, consegue muita coisa sem o apoio de uma equipe competente
e inovadora.
Em trabalhos anteriores, particularmente em On Becoming a Leader (Como
Tornar-se Um Líder, publicado pela mesma editora, em l989), Warren Bennis,
que tem prestado assessoria a grandes empresas e até mesmo a quatro presidentes
norte-americanos, dirigiu muito de sua atenção para os atributos pessoais
do líder. Ressaltou, por exemplo, a excepcional qualidade de homens públicos,
como Washington, Jefferson, Hamilton, Adams e Benjamin Franklin, quaisquer
que fossem suas fraquezas. O fato de uma população de três milhões de habitantes
ter contado com tantos líderes de tal grandeza num período crítico de sua
emancipação é realmente digno de nota.
Nestes, como em outros líderes, identificou ousadia para perseguir uma determinada
visão, curiosidade para aprender com seus erros e acertos, paixão pela missão
que lhes foi confiada e, acima de tudo, integridade. O conceito de integridade
não se restringe ao respeito a princípios. Pressupõe maturidade, baseada no
auto-conhecimento e na experiência, que permite trabalhar com os demais e
deles aprender no curso do trabalho. A integridade é a única base sólida da
confiança, sem a qual pode haver gerência, mas não liderança efetiva.
Ao distinguir os líderes dos gerentes, Warren Bennis destacou a capacidade
que têm os primeiros de administrar o contexto de sua atuação. Enquanto os
gerentes se concentram em sistemas e estruturas, os líderes se preocupam com
pessoas. Líderes inspiram confiança; gerentes se apóiam em mecanismos externos
de controle. Gerentes esforçam-se por fazer as coisas bem, enquanto os líderes
tratam de fazer as coisas certas. Gerentes preocupam-se com treinamento; líderes
com caráter e educação.
Que características comuns terão os líderes do futuro, segundo o Autor? Em
primeiro lugar e acima de tudo, um alto nível educacional. Além disso, uma
profunda fé no trabalho realizado em equipe, o que pressupõe grande capacidade
para tolerar opiniões contrárias, especialmente quando o grupo se compõe de
pessoal altamente qualificado. Como frisa o Autor em seu livro mais recente,
um Grande Grupo só pode ser forjado por quem não tenha medo de empregar pessoas
com maiores talentos que os seus pessoas comprometidas com a idéia
da excelência e capazes de trabalhar em equipe apesar da diversidade de seus
conhecimentos e de suas diferentes trajetórias profissionais. A grande habilidade
do líder consiste em respeitar a autonomia dos membros de seu grupo ao mesmo
tempo que canaliza seu entusiasmo, curiosidade intelectual e persistência
na busca de um ideal comum. No ambiente de trabalho em que opera um Grande
Grupo, se o erro não pode constituir um hábito, tampouco deve ser motivo de
ridículo ou intimidação. O erro, numa atmosfera de criatividade, é fonte de
reflexão e aprendizagem.
Estas noções, tão simples no papel, contrastam o quotidiano burocrático. Baseiam-se,
entretanto, em exemplos reais, que podem ser contestados por não representar
a média do comportamento institucional. Mas, não estamos tratando da média
e sim de casos onde a excelência pode servir de paradigma, especialmente para
quem busca novas alternativas para o funcionamento de organizações complexas.
Organização dos Estados Americanos GETÚLIO
CARVALHO
Washington, DC, U.S.A.

